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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O GRANDE MATÁ-MATÁ (história contada pelos antigos)
Em meu trabalho de pesquisa dentro da comunidade, fiz algumas entrevistas orais com os mais antigos da comunidade e eles me contaram várias histórias que muitos delas foram contadas pelos seus pais, avós e que passaram de geração em geração e que ao longo do tempo depois que a tecnologia chegou dentro da comunidade estão sendo esquecidas pelos mais novos. E diante dessa problemática resolvir escrever um livro transcrevendo essas histórias para que nunca morra a história do nosso povo wapichana. o título do meu livro é CONVERSANDO COM OS MAIS VELHOS (A história dos antigos) veja pequenos trechos dessas histórias.
O GRANDE MATÁ-MATÁ
Existiu um Wapichana na
Comunidade Canauanim por nome AugustinhoSolon, um certo dia ele saiu para pescar
junto com seu filho Lourival, que na época tinha dez anos de idade. Eles saíram
para pescar em um rio distante da comunidade, o rio tinha muitos peixes e
também muitas caças, quando lá chegaram ele foi até um poço muito grande e viu
muitos peixes enquanto pediu para seu filho fazer o fogo para assar peixes para
o almoço.
Alguns
pescadores e caçadores falavam que o rio era mistérioso, pois ninguém podia
lavar prato com resto de comidas, nem lavar caça, e nem tratar peixe em suas
águas que lá morava um bicho que era o pai do rio, quando ele ficava bravo um
estrondo se ouvia dentro do rio e um grande temporal surgia e partia para cima
de quem o desafiasse,
Augustinho
chegou no poço e começou a flechar algumas matrinchãs, e depois resolveu jogar
sua tarrafa, deu a primeira laçada e muitos peixes vieram, ele encheu sua
darruana e logo depois deu a segunda laçada, mas sentiu alguma coisa se
mexendo, viu as águas borbulhando e tomou um grande susto quando la naquele
poço surgiu um grande mat;a-matá, ele era muito grande e era do tamanho do
poço. Augustinho ficou muito espantado, pois nunca tinha visto um bicho daquele
tamanho, ele começou a fazer sua oração e o bicho não fez nada com ele.
Um
paje bateu folha um dia e disse que o grande mata-mata era mesmo o pai do rio,
mas ele o expulsou de la e o bicho cavou um tunel por baixo da terra e foi
morar la no lago do cariri la para o lado da colônia São Francisco, ninguém
nunca conseguiu mais ver esse bicho e por isso esse rio ficou conhecido como
mata-mata e muitos mata-matas pequenos surgiram por la.
Morre mais um no Canauanim por morte misteriosa
A vitíma dessa vez foi o Professor das séries iniciais ERNANI MIGUEL, que faleceu no dia 22 de Fevereiro de 2012. A causa da morte é ignorada e misteriosa, pois o professor passou mal no dia 01 de Fevereiro de 2012 e foi levado as pressas para o HGR, la ficou internado e os médicos não souberam dar um diagnóstico preciso. Ernani não conseguia ficar quieto e se debatia o tempo todo, não conseguia reconhecer ninguém, nem a própria esposa e foi necessário amarrá-lo na cama. A família resolveu tirá-lo do hospital, pois suspeitavam que aquela doença não era para ser tratada por médicos, ele foi levado para comunidade para ser tratado em casa, pois suspeitava-se que ele estivesse sendo possuído por espirítos malignos e deveria ser tratado por pajés. eles vieram e diziam que a alma do professor estava presa no meio da mata e que 14 espirítos malignos estavam possuindo seu corpo, ele não conseguia dormir e pertubavam dia e noite seu corpo. ele não estava mais em sã consciência, não reconhecia ninguém e ficou em estado de loucura.
vários pastores evangélicos, catequistas, irmãos e irmãs. além dos pajés estiveram visitando ele para que tivesse uma melhora, mas ninguém conseguiu fazer nada e o professor acabou falecendo nesse dia 22 de Fevereiro. fica a pergunta no ar quantas pessoas ainda serão vitímas desses Espirítos malignos que está assombrando a comunidade? quem é o perseguidor?
vários pastores evangélicos, catequistas, irmãos e irmãs. além dos pajés estiveram visitando ele para que tivesse uma melhora, mas ninguém conseguiu fazer nada e o professor acabou falecendo nesse dia 22 de Fevereiro. fica a pergunta no ar quantas pessoas ainda serão vitímas desses Espirítos malignos que está assombrando a comunidade? quem é o perseguidor?
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
FESTA INTERCULTURAL DO CANAUANIM 2011
A Festa Intercultural da Comunidade Indígena Canauanim é realizada sempre no Mês de Setembro de Cada Ano, a Festa começou em 2004, quando lideranças da comunidade resolveram fazer uma festa para apresentar todos os produtos produzidos dentro da comunidade, e a festa foi chamada de FESTA DA FARTURA. mas depois de alguns anos o nome da festa mudou para FESTA INTERCULTURAL, onde todos pudessem participar, as comunidades vizinhas como Malacacheta e Tabalascada participam todos os anos e festa ganhou proporçõem maiores a cada ano, e hoje tem o objetivo de divulgar a cultura indígena, com danças, comidas e costumes tradicionais, defumações com o Maruai e disputas e competições entre indígenas como: arco e flecha, fiar algodão, trançar darruana, beber mais caxiri. a Festa já tem sua VII edição.
FAMILIA SÓLON: A SEGUNDA FAMÍLIA A CHEGAR EM CANAUANIM
Augustinho Solon era o Patriarca da Família Solon, nasceu na Guiana Inglesa, era Wapichana da maloca do ATHUYB, fugiu de sua terra natal aos dez anos de idade fugindo da fome e da miséria, pois as dificuldades eram muito grande naquele lugar, veio com os missionários que o trouxeram para Boa Vista, ao chegar lá conheceu um velho Comerciante Por nome Solon, que o empregou como carregador de mercadorias, ele fazia pequenos trabalhos para o comerciante que não tinha família e morava sozinho, Augustinho passou uns anos trabalhando com esse comerciante que o adotou como seu filho chegando até a registrá-lo como seu filho no cartório, pois até então ele não possuía nenhum documento no Brasil.
Depois de alguns anos Augustinho saiu da companhia de seu pai adotivo e foi ser ajudante em outras embarcações que entregavam mercadorias no interior nas beiras dos afluentes do rio Branco como Uiraricuera, e foi em uma de suas entregas que conheceu sua Esposa Júlia da Silva, que também era Wapichana, mas sua mãe era macuxi da maloca do Gavião na região de São Marcos, seu pai era wapichana também da Guiana de alshaton, ela disse que depois que seu pai e sua mãe se casaram ela teve que aprender a língua de seu pai, wapixana e como em casa só falavam wapixana ela assimilou bem a língua de Seu pai, da língua de sua mãe ela aprendeu pouco, entendia poucas palavras, mas aprendeu a cantar na língua macuxi.
Augustinho e Júlia se conheceram em uma fazenda onde ela trabalhava como babá, mas também fazia muitos trabalhos domésticos, ela já tinha dois filhos quando ele a conheceu, José Avelino e Zé Neves que teve com seus dois maridos anteriores e nenhum dos dois moravam com ela, pois a mesma deu eles pequenos para serem criados pelos brancos. Eles se ajuntaram e Augustinho foi trabalhar em outras fazendas, depois voltou para Guiana para rever seus pais, ele não tinha paradeiro certo. Nessa osião teve sua primeira filha que colocou seu Nome de Vanda, em seguida foi Lourival e Alcides todos nasceram na fazenda. Em sua ida para Guiana teve mais uma filha que chamou de Ana, depois de tantas andanças eles voltaram para Boa Vista,passaram um período morando na cidade na beira do rio, naquela época tudo era mata, tinha pouca casa. Júlia tinha um irmão por nome Teotônio, e sua filha por nome Maria Filomena que se casou com Vicente Cadete que já morava no Canauanim.
Júlia contou que foi Vicente Cadete que convidou ela e seu marido Augustinho para morarem nesse lugar, como era perto da cidade eles aceitaram o convite e vieram morar no Canauanim. Ela disse que quando chegaram aqui só tinha a família Cadete, Andrade Cadete e sua mulher Balbina, Casimiro Cadete e sua mulher Maria Inês, e Vicente Cadete que era recém casado com Maria Filomena. Eles fizeram casa e seu marido Augustinho Colocou roça, quando fixaram morada tiveram mais dois filhos EtevaldoSolon e IvôniaSolon (mãe do Autor), esses dois últimos já sãonascidos e são filhos do Canauanim.Augustinho Solon Morreu em 09 de Agosto de 1982, vitíma de tuberculose e Júlia Solon morreu em 24 de Dezembro de 2010, de morte natural.
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| Augustinho Solon e Júlia Solon Raizes da Família Solon |
FAMÍLA SOLON
VANDA SOLON- Marido, Nazareno da Silva, filhos: Francisco Solon, (chico sarapó). Getúlio solon, Hugo Solon (bagre),ValquiriaSolon, (gorda)Nazinha, Valciria, Florencio, (filhos mortos). Vanda também teve um outro marido civilizado por nome Dionizio ele era negro e teve com ele mais dois filhos: Francisca solon e Lindomar Solon.
LOURIVAL SOLON – casado com Amélia Feliciano filha de Teotônio, irmão de Júlia solon, Lourival e Amélia são primos legítimos se casaram e tiveram filhos: Ari Solon, ArileneSolon,DarleneSolon e Erivaldo Solon.
ALCIDES SOLON- casado com Fátima Chagas (macuxi) filhos: Maria Júlia Solon, AldecirSolon, (Aracu) Francisco Solon (pajé) Francisca SolonAltecirSolon (carangueijo) Alcione Solon, SirineuSolon (Cavalo), João Paulo Solon. Alcides morreu em 2003 por cirrose hepática.
ANA SOLON – marido Anizio Oliveira, (Branco) filhos: Pedro Solon, Rosimeire Solon, Kenedy Solon.
ETEVALDO SOLON – esposa Eliana de Oliveira, ElivaldoSolon, ElinaldoSolon, ElinildaSolon, ElizaneteSolon, ElinildoSolon,
IVONIA SOLON – esposo Petrônio Vitor de Souza, filhos: IvonioSolon, IvonildoSolon, Ivonilzasolon, IvoneideSolon, Janaina Solon, EdivoneSolon,
Essas são as primeiras gerações da Família Solon, filhos natos do Canauanim, descendentes dos wapixanas, Algumas pessoas dessa família não possuem mais o Solon em seus nomes alguns usaram o nome dos maridos, ou foi modificados em cartório. Muitos ou quase todos perderam a língua de seus avós, e já não falam mais a língua materna wapixana, por influência de vários fatores.
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| A Matriarca da Família Solon, Júlia Solon faleceu em Dezembro de 2010 |
POEMA DA DAMURIDA (Vencedora da VI Festa da Damurida 2011 na malacacheta)
DAMURIDA
Ela é feita com pimenta
Canaimé e Murupi
Vem coberta com folha
Com moquém e tucupi
Essa é a damurida
De Wapichana e Macuxi
Com o Peixe é gostosa
Surubim e aracu
Pirandirá e Cascudo
Curimatã e Jijú
Traira e matrichã
Mandi, cará e Pacú
Com pimenta malagueta
Servida com o beiju
Assim é nossa comida
Damurida de tatu
Cutia, porco do mato
Capivara e catitú
Eu vou falar na minha língua
Didiada e damurú
Comida de wapichana
Damurida de mutum
Moquém de aracuan
De galega e de nambu
Temperada com pimenta
Molhadinha com beiju
O moquém com a gikitaia
É a nossa preferida
Com pimenta murupi
Fazemos a damurida
Com ave, peixe ou caça
Isso é nossa comida
Eu como minha damurida
Com carne de Aru e Kupay
Atury , urada e kapaxi
Puaty, kudui e com Bay
Com carne de tapiìz
Kanawada tanto faz
Pra pegar a nossa caça
Nós fazemos a varrida
Com a carne do tatu
Preparamos a comida
Misturada com pimenta
Está feita a damurida
Comida tradicional
Ela é a nossa vida
Ela é nossa comida
É comida natural
Comida do nosso povo
Comida tradicional
Ela é a damurida
É do nosso ancestral
Um caldo apimentado
Ela já pegou fama
É a nossa damurida
O índio não se engana
Pois quem sabe do sabor
É o índio wapichana
Mais a melhor damurida
É feita com jacaré
Com a pimenta mais ardosa
A pimenta canaimé
Damurida preferida
Comida pelo pajé.
A festa da danurida
É da malacacheta
A comida é de índio
A pimenta é malagueta
É a comida dos guerreiros
Quem não é não se intrometa
A festa da damurida
É uma festa cultural
Recebeu um grande prêmio
Premio a nível nacional
Por mostrar a cultura indígena
Com a comida tradicional
La vem as comunidades
Todos nós somos vizinhos
Canauanim, tabalascada
Barro vermelho e campinho
Rabicho e capinarana
A laje e o jacaminzinho
Aqui tem várias disputa
Tem jogo competição
Vamos ralar mandioca
E fiar o algodão
E beber mais caxiri
Essa é nossa paixão
Tem a corrida com tora
E com as pernas amarradas
Torneio de futebol
Que é a mais disputada
E comer mais damurida
Gikitaia foi preparada
A índia da damurida
Vem mostrar sua beleza
Índia do cabelo comprido
Vem mostrar sua pureza
Com trajes originais
Original com certeza
Nessa festa cultural
Todos vem participar
Disputar arco e flecha
Outros vem apreciar
Corrida de bicicleta
Corrida de saco a pular
Tem corrida de cavalo
Tem a corrida de saco
Tem os produtos agrícolas
E tem os artesanatos
Feito com a diversidade
Encontrado La no mato
Com a cabaça na cabeça
Com a dança do parichara
Pinturas com urucum
Cocar com penas de arara
Com palhas de buriti
Enfeitada com tiara
Vamos dançar parichara
Ungary e Pugary
Cantando em wapichana
Vou cantando mari mari
E vamos beber na cuia
Vou tomar o parakari
A festa da damurida
É também de macuxi
Quero dizer Moruei
Pra todos que estão aqui
Pois todos somos irmãos
Waichana e macuxi
Por aqui chego ao fim
Rimando com esse tema
E se eu não conseguir ganhar
Para mim não tem problema
A mensagem eu já passei
Nesse singelo poema.
Nessa festa tem encanto
Nossa festa preferida
Mostramos nossa cultura
Bebemos nossa bebida
Dançando parichara
Comendo nossa comida
Aqui na malacacheta
Na festa da Damurida.
Autor professor Ivonio Solon wapichana
VI festa da damurida
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
a origem do nome Canauanim
A
ORIGEM DA COMUNIDADE CANAUANIM
A comunidade foi fundada pelo Wapichana
Manduca Cadete e sua Esposa Mariquinha, eles eram avós de Casimiro Cadete.
Manduca trabalhava para um branco chamado Bento brasil trazendo mercadoria de
Manaus, vindo de Canoas pelo rio branco.
em uma de sua viagens conheceu Mariquinha que era do rio negro e índia
Guarani e falava a língua geral, eles se casaram e vieram morar nesse lugar.
Manduca construía muitas canoas de
madeira Cupiúba e Mirarema, essas canoas seguiam pelo igarapé da canoa até
chegar no igarapé surrão que ia chegar até o rio branco, naquela época ainda
não existia estradas e o transporte eram somente as canoas, e o igarapé por ser
a estrada da canoas, eles colocaram o nome em wapichana – KANAWAÙ, que quer
dizer passagem da canoa, eles usavam o rio para transportar seus produtos como:
banana, milho, abacaxi, mamão,
macaxeira, melancia, Jurumum, e farinha, goma, tapioca e outros. Eles
iam até Boa Vista para comprar mercadorias como: Açúcar, Sal, óleo, sabão e
panos para fazerem roupas, o centro antigo de Canauanim ficava em volta de um
Igarapé. Em 1958 Casimiro Cadete foi nomeado Tuxaua pela SPI nessa época
existia apenas doze famílias e seis brancos que moravam na comunidade. Casimiro
foi o primeiro Catequista da igreja Santa Luzia, o primeiro professor, oprimeiro
agente de saúde da comunidade.
Segundo seu Casimiro Cadete o nome foi
mudado para Canauanim pelos brancos que não conseguiam pronunciar o nome em
wapichana, Canauanim possui uma área de 11.182 hectares de terra e foi
demarcada e homologada em Fevereiro de 1996. Sua população em 2012 conta
com 147 famílias numa população de 930 pessoas.
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| CASIMIRO CADETE- fundador da comunidade Canauanim, Senhor mais antigo da comunidade |
OUTRA VERSÃO
A
outra Versão da origem do Canauanim foi contada por Pajé Izaiasm que contou
para Lourival Solon. Ele contou que antigamente no Canauanim existia um igarapé
grande que passava abeirando a maloca, nesse igarapé existia muitas espécies de
peixes e tinha fartura em abundância, o igarapé tinha grandes profundidades de
água e sua extensão era grande e nunca secava, e ao longo de sua extensão
existia uma queda d`água que jorrava com intensidade, porém os antigos diziam
que ali morava um grande Jacaré Açu de dois rabos que os wapichanas chamavam de
KANAWADA que quer dizer Jacaré grande, que segundo eles era o pai do igarapé,
que protegia o lugar.
Alguns pescadores chegaram a ver o
Jacare nessa cachoeira, ele era muito grande e abria sua boca e os peixes caiam
dentro, á noite quando todos estavam dormindo e o silêncio pairava no ar era
possível ouvir o rosnado do bicho ao longe misturados ao som das águas da
cachoeira. O bicho zangava quando alguém, lavava sangue em suas águas, dizem
que ele encantava os moradores pegando suas almas, principalmente crianças, e
mulheres quando estavam menstruadas. Dizem que uma certa noite um grupo de
índios pescavam pelo igarapé em cima de uma Canoa e cruzaram com o bicho de
dois rabos, e ele com muita fúria Comeu todos eles.
A partir desse acontecimento os
moradores ficaram amedrontados e pediram a ajuda de um pajé que bateu folha e
conversou com o bicho, e ele disse que ali era a casa dele e os homens o
estavam perturbando, os moradores pediram que o pajé tirasse aquele bicho dali,
mas ele avisou a todos que depois que o bicho for embora tudo iria desaparecer,
os peixes e até as caças que bebiam água no igarapé. Pois ele iria secar e tudo
desaparecia. Pajé rezou e jogou uma batata rôxa dentro do igarapé, nesse dia
tudo escureceu com nuvens de chuvas e um grande temporal caiu, chuva relâmpago,
trovões e tempestade aconteceu, era o bicho que estava abandonando aquele
igarapé.
A partir daquele dia o igarapé secou
por completo e tudo desapareceu como previu o Pajé, as caças e os peixes
sumiram, como a maioria dos moradores eram wapichanas, o lugar ficou conhecido
como KANAWADA, outros afirmavam que era por causa da Canoa que foi encontrada
muitos anos depois enterrada no leito do igarapé, quando foi questionado por
que foi mudado para Canauanim, ele afirmou, assim como Casimiro Cadete que os
brancos foi quem mudaram o nome, por não saber a pronúncia, principalmente os
malária da Sucam que tinham que preencher fichas, eles quiseram mudar o nome da
comunidade para maloca do Jurací. Segundo Lourival ele disse que a pronuncia
antiga era canoani e não Canauanim.
OS PRIMEIROS TUXAUAS DA COMUNIDADE
O fundador da Comunidade Manduca
Cadete foi um líder na comunidade e foi considerado tuxaua, Luiz Cadete pai de
Casimiro Cadete foi também um dos primeiros tuxauas da maloca, seu nome foi
colocado na primeira Escola que surgiu na comunidade, mas eles não foram
reconhecidos oficialmente pela SPI (serviço de Proteção ao Indio), somente em
1958 que Casimiro Cadete foi nomeado e reconhecido oficialmente como tuxaua da
maloca, ele recebeu da FUNAI uma espada e um capacete que simbolizava o
Exercito Brasileiro. Casimiro disse que o motivo dele ter ido na Funai foi por
que um Fazendeiro por nome Waldemar da Costa ameaçou expulsar os índios do
Canauanim dizendo que todas aquelas terras eram suas, pois ele tinha comprado
do antigo dono por nome Antônio Pinheiro que dizia que desde o surrão, Santa
Cecília até a Serra da Malacacheta era dele. A FUNAI perguntou a ele quem tinha
chegado primeiro e ele disse que foi seu Avô e ele ganhou a área do Canauanim.
Casimiro foi Tuxaua por muitos anos
na Comunidade, e guardou a espada e o capacete por muitos anos, e todos os
problemas que o tuxaua ia resolver sempre colocava o capacete na cabeça e a
espada na cintura para que o respeitasswm com autoridade, mas um dia sua casa
pegou fogo e o capacete e sua espada se perderam nele e ele não pôde mais
repassar para os seus sucessores.
Depois de Casimiro Cadete, assumiu a
comunidade como Tuxaua seu irmão Andrade Cadete que também passou vários anos,
depois veio os tuxauas: VITOR BARROS o único macuxi a assumir a comunidade,
LEONCIO CADETE, GETÚLIO SOLON,(tuxaua por duas vezes) ETEVALDO SOLON,(tuxaua
duas vezes e quase quinze anos de mandato), JULIÃO OLIVEIRA (único guianense a
assumir a comunidade) IVÔNIO SOLON (o primeiro professor a assumir a
comunidade, 2008 a 2010), RIVANILDO CADETE (professor e atual tuxaua da
comunidade).
PRODUÇÃO
Naquela época eram poucas as
famílias existentes, mas havia muita fartura, pois as famílias produziam muito,
todos tinham roças, e elas eram grande em torno de trinta a quarenta linhas de
roças e plantavam muitas bananas maças, milho jurumum,macaxeiras, abacaxi,
melancia, melão, arroz, car;a, batata, mamão e muita mandioca. Os moradores
pagavam trabalhadores para trabalharem nas roças, e o carro da feira passava
toda semana para pegar a produção para levar para feira livre que ficava em
frente onde hoje é a Maternidade, quando o carro da feira não passava o próprio
produtor pagava um carro de frete para pegar sua produção.
A produção de banana maça era grande
que entrava carro só para pegar esse produto, e também a produção de farinha e
seus derivados como: goma, tapioca, carimã.Com a fartura da produção era Comum
também todos os moradores criarem animais em grande quantidade como: galinhas,
patos, picotes e principalmente porcos, e alguns criavam carneiros e bois, A
Criação só era possível, por que as famílias produziam em grande escala. As
famílias também plantavam muitas arvóres frutíferas como: manga, laranja,
tangerina, graviola, limão, goiaba, araça, Ata, ingá, caju, jaca, azeitona e
outros.
ALIMENTAÇÃO
Até a década de 50 as famílias do
Canauanim tinham uma alimentação natural, sem a interferência das comidas
industrializadas em excesso, pois comiam aquilo que produziam, e geralmente a
base de água e sal quando era possível ter sal, os moradores pela manhã tomavam
geralmente o Mingau feito de batata, macaxeira, jerimum, cará, arroz, goma ou
carimà, minha avó contava que os antigos acordavam cedo, a mulher para
descascar ou batata, ou macaxeira, jerimum ou para pilar arroz para fazer o
mingau, quando colocava a panela no fogo enquanto o mingau cozinhava ela ia
fiar algodão fazer fios para fazer rede, o homem acordava cedo para trançar
peneira. O mingau as vezes era tomado com açúcar e leite, mas na sua maioria
era tomado ensosso, pela dificuldade do produto, as vezes tomava-se o café
preto adoçado com garapa de cana.
Depois do mingau vinha o segura
peito, damurida de peixe com pimenta malagueta, ou caça ou peixe moqueado, como
o sal era difícil os alimentos geralmente eram monqueados, ou seja assados em
brasa para que fossem conservados vários dias. As caçaseram as carnes de>
tatu, capivara, veado, anta, paca, cutia, catitu,e porco do mato, macaco ou
jabuti que era cozido. Os peixes também como: aracu, surubim, Matrinchã, bodó,
cará, jejú, traíra, piaba e outros.
Todos os alimentos eram servidos
somente com a farinha e o beijú feitos de mandioca, dela também era feito o
caxiri que quando fermentada depois de três dias em diante torna-se uma bebida
fortissíma
A partir dos anos 60 a comunidade começa
a consumir com mais intensidade os alimentos industrializados como: açúcar
preto comprados na Guiana, sal, sardinh, conserva, óleo, trigo, manteiga, pão,
cachaça e etc.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
O TRIBUNAL DOS CANAIMÉS DO CANAUANIM
Esse fato aconteceu na Comunidade Canauanim em Março de 2011 essas pessoas foram acusadas de fazerem o mal para outros parentes dentro da Comunidade. Tudo começou em 2010 quando vários Jovens da comunidade começaram a incorporar Espirítos maus dentro de Sí. Eles alegavam que estavam sendo perseguidos por um Homem chamado de Oliveira, e era mais conhecido como Bacural, e por sua mulher Jaqueline, o mais estranho de tudo isso era que essas perseguições só estavam acontecendo com jovens entre doze a dezenove anos. Alguns jovens estavam sendo atormentados diariamente, se debatiam pediam sangue e ameaçavam outras pessoas. Algumas famílias procuraram alguns pajés de outras comunidades e alguns curandeiros, e todos diziam a mesma coisa, que existia uma família que tinha várias plantas e que as mesmas estavam possuindo o corpo dos jovens. Nesse mesmo período várias pessoas da comunidade ficaram doentes com porcaria (Macumba), e os pajés disseram que Bacural era o responsável por tudo que estava acontecendo.
E NO DIA 09 DE Março de 2011, O Tuxaua da Comunidade junto com suas lideranças, reuniram a comunidade e decidiram desmascarar Oliveira e sua mulher Jaqueline, colocaram perante a comunidade e perguntaram a ele se ele era Canaimé e se teria plantas que fazia o mal, ele e sua mulher negaram, e algo assustador aconteceu muitos jovens foram possuído nesse dia pelos espirítos malignos, todos foram trazidos para o Ginásio, e a família foi torturada psicologicamente, por várias perguntas, acusações, mas bacural foi torturado fisicamente por pessoas que estavam furiosas, algumas incitavam a população para que queimassem ele vivo. Os próprios jovens que estavam possuídos acusavam ele cara a cara, a família toda foi trazida para frente, filhos maiores e menores. Suas plantas foram procuradas nas ilhas, na roça e a família foi impedida de voltar para a sua Casa.
A situação se estendeu a noite, onde a família de Bacural foi mantida Refém toda a noite, um verdadeiro Tribuna foi montadol para julgar aquelas pessoas, que foram pressionadas para se revelar que era eles que estavam fazendo o mal para comunidade. O julgamento varou a noite até o dia amanhecer e vários jovens ficaram possuídos a noite toda sempre acusando Bacural e Jaqueline como o Mal. Em um determinado momento na madrugada Bacural não suportou a pressão e disse a todos que realmente tinha planta que fazia o mal, pela manhã acompanhado de um Pajé ele revelou onde ele as tinha plantado, pajé disse ainda que eles praticavam magia negra, e alimentavam as plantas com sangue de Galinha, e Bacural era suspeito de possuí o Livro de São Supriano, um livro que instrui como fazer o mal para as pessoas.
Aquele dia foi um dia de horror, pois tinha muitas pessoas que foram contra a atitude de algumas pessoas de julgarem aquele homem, por outro lado outras que acreditavam que Bacural realmente fazia o mal. Depois que tudo se passou, a família de Bacural foi hostilizada quase todos os dias por alguns moradores, todos eles eram constantemente chamados de CANAIMÉ. Ou RABUDO que é o mais comum, a família ainda permaneceu na Comunidade um Mês depois do acontecido e um dia sem esperar ele alugou um caminhão e retirou de sua casa todos os untensílios e foi embora, sua casa foi saqueada depois disso, principalmente suas galinhas que foram deixadas para trás, Bacural alegou que em uma noite ele ouviu alguns homens perto de sua casa comentando que iriam tocar fogo em sua casa e que mataria toda a sua família, e ele com medo resolveu sair da comunidade.
Depois que ele saiu da comunidade, as coisas acalmaram um pouco, mas alguns jovens ainda continuaram atormentados, mas dessa vez em menor número, mas as doenças por porcaria ainda continuaram, e em Dezembro de 2011, morreu o primeiro jovem que foi atacado por esses espíritos. O Jovem Se Chamava ERANO RODOLFO, que no momento de fraqueza misturada ao Alcóol se suicidou em baixo de um Caimbezeiro, muitos acreditam que Bacural começou a fazer sua vingança, pois o mesmo saiu dizendo que iria pegar de um por um todos aqueles que o perseguiram no fatídico dia 09 MARÇO DE 2011.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
VOVÔ WAPICHANA É ACUSADO DE TER PLANTA CANAIMÉ
Isso aconteceu em 2009 na comunidade Canauanim, depois que uma Senhora morreu de morte misteriosa, a família disse que esse vovozinho wapichana raspou uma batata e deu na água para a mesma beber o vovó se dizia pajé e água que ele deu para mulher beber iria curá-la, mas quando foi a noite bichos misteriosos rondaram a casa da mulher e a vitíma veio a falecer na manhã seguinte. a família acusou o vovozinho de ser canaimé e que essa planta foi quem matou a senhora, eles ficaram revoltados e chamaram o tuxaua para resolver a causa e exigiram que o velho amostrasse suas plantas, a comunidade se reuniu e foi até a casa do acusado para que ele mostrasse suas plantas, o velho negou que fosse canaimé, mas admitiu que tinha mesmo as plantas, mas que elas nunca faziam o mal para ninguém. o velho arrancou todas as plantas e os parentes da morta o obrigaram- a jogar todas as suas plantas no Rio Branco.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
TAMAXI O CANAIMÉ DO JACAMIM (FATO REAL)
Nos contaram os antigos que
existiu um homem que morava na maloca do Jacamim, região serra da lua,
município de Bonfim, fronteira com a Guiana Inglesa. Seu nome era Tamaxi
descendente dos wapixana da Guiana. Desde de sua chegada na maloca as pessoas
começaram a morrer misteriosamente, principalmente crianças. Aquele homem era
estranho aparentava ter uns quarenta e poucos anos, não tinha família e morava
sozinho, não se misturava com as pessoas da comunidade, mas era trabalhador e
colocava grande quantidade de roça, ao dia estava sempre com cara de sono
parecia que vivia a noite acordado.
Com o
passar do tempo as pessoas começaram a morrer quase que diariamente e sempre do
mesmo jeito, febre alta e delírio morte típica de canaimé, e a notícia veio da
Guiana que Tamaxi era Canaimé dos mais perigosos, e por lá já havia matado
centenas de parentes e sua vida era de fugitivo, pois lá todos sabiam que ele
era Canaimé.
Um certo
dia ele atacou uma moça filha do Tuxaua e naquele dia a revolta foi grande as
pessoas se armaram com flechas, espingardas e terçados e foram ao encontro de Tamaxi,
e o encontraram trabalhando em sua roça, perguntaram a ele se ele era Canaimé,
e ele respondeu que não, os parentes então o amarraram e começaram a espancá-lo
para que ele confessasse a verdade, mas ele continuava a negar, os parentes
fizeram então uma grande fogueira e disseram que iriam jogá-lo Vivo dentro dela,
e ele começou a confessar que era mesmo Canaimé. Os parentes pediram para que
ele mostrasse onde estavam suas plantas TAJÀ que ele possuía e mandaram que ele
próprio arrancasse e jogasse no fogo, a tortura continuou até que ele
confessasse quantas pessoas ele tinha matado dentro da maloca, e ele confessou
um a um, inclusive a filha do Tuxaua, os parentes dela revoltados e furiosos
cortaram os pés de Tamaxi e jogaram no fogo, depois as pernas, as mãos, os
braços, os troncos e por último a cabeça.
Quem confirmou
essa história foi o Senhor Oswaldo que morava no Jacamim na época do acontecido
ele confirmou que também participou do assassinato do Canaimé conhecido por
Tamaxi, segundo ele eles fizeram isso para que outras pessoas não morressem,
depois de algum tempo nasceram muitos tajás no lugar onde Tamaxi foi queimado
vivo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Touro Sentado indios Sioux
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Touro Sentado chegou a ser famoso por conduzir três mil e quinhentos
índios sioux e cheyenne contra o Sétimo Regimento de Cavalaria Americana, que
estava sob as ordens do general Custer,
na batalha de Little
Bighorn em 25 de junho de 1876,
onde o exército federal foi derrotado.
Perseguido pelo exército dos Estados Unidos, Touro Sentado levou os seus
homens até ao Canadá, onde permaneceram até 1881.
Neste ano regressou com a sua tribo aos Estados Unidos para que a sua gente se
entregasse e acabasse assim a guerra. Touro Sentado não conseguiu uma porção de
terras canadenses, porque a Rainha Vitória o considerava um selvagem dos
Estados Unidos.
Nos anos seguintes Touro Sentado fez parte do show de Buffalo Bill.
Touro Sentado sentiu-se atraído pela Dança dos Fantasmas,
religião fundada pelo suposto messias Wovoca. Segundo o profeta, que se dizia o
próprio Cristo, a dança faria com que no próximo ano a
terra engolisse os homens brancos das terras dos índios. O governo dos Estados
Unidos viu nestas danças uma ameaça e enviou uma polícia índia para prender o
chefe hunkpapa. Touro Sentado e seu filho morreram baleados na luta que se
seguiu à tentativa de prisão.
Em sioux,
Tatanka Iyotake significa «Búfalo Macho Sentado». O nome de Touro
Sentado chegou ao português através da tradução do inglês, Sitting Bull,
posto que bull, além de significar touro, utiliza-se para
denominar os machos de animais similares aos bois, como os búfalos e bisontes.
Referências
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Bibliografia
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