AUTOR DO BLOG
Ivônio Solon é indio wapichana da região serra da lua, município de Cantá, Roraima, nascido na comunidade indígena Canauanim. Músico, cantor, compositor e poeta. toca violão e teclado, amante da natureza, da arte e da cultura Indígena que ao longo do tempo vem divulgando através deste blog. Já exerceu dentro de sua comunidade o cargo de tuxaua (Cacíque), lider maior. Sua profissão, Professor das série iniciais, formação superior em licenciatura em Pedagogia. O Autor ja fez várias pesquisas dentro de sua comunidade para saber informações orais dos antigos, as histórias, lendas, a convivência entre outros povos, as mudanças dentro da comunidade, o contato com os brancos, e a atual realidade como o contato com a tecnologia e o progresso.

APRESENTAÇÃO DO PARICHARA KABIXAKU NO PARQUE ANAUÁ
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TIMBÓ: A RAIZ VENENOSA
O timbó é uma raiz Venenosa encontrada nas matas das maioria das comunidades indígenas de Roraima. durante muito tempo nossos antepassados usaram esse veneno para fazer suas pescarias, isso contribuiu para a escassez de peixes em nossos lagos, rios e igarapés. famílias inteiras participavam dessas pescas e arrancavam na mata o timbó que é semelhante ao cipó esse é chamado o três quina, o outro é o de planta que geralmente é plantado nos quintais. o de raiz é batido com um cassete de pau até ser extraído o seu leite (veja figura) e depois é espalhado na água o veneno se espalha rapido e todos os seres vivos daquele ambiente são exterminados, geralmente (carangueijos, piabas, cobras, arraias,tracajás, jacarés etc), depois disso a água também fica contaminada, afastando os animais da mata ou campo que dependem da água para beber, fora os peixes que os parentes não conseguem pegar e apodrecem no outro dia. o timbó de planta faz o mesmo efeito, só que é menos venenoso que o de raiz. Atualmente em algumas comunidades essa prática está sendo banida e as lideranças tem colocado punição para os que insistem em usar esse metódo dentro da comunidade, essa punição está dentro dos regimes internos de cada comunidade. Temos que preservar o nosso ambiente para as nossas crianças, pois hoje em nossa comunidade os peixes e as caças estão cada vez mais difícil, os caçadores e os pescadores estão tendo que sair para caçar e pescar nas áreas dos fazendeiros, sendo ameaçados de morte pelo simples fatos da sobrevivênvia.    
 

A SAGA DE UM KANAIMÉ DE RORAIMA
as ilustrações e as histórias foram feitas por Sidnei Batista, que foi contada pelo seu avô, macuxi das serras do Uiramutã

Nos contaram os antigos que quando os cachorros do mato começam a uivar nas serras, as corujas a cantar, rasga mortalha à dar o agouro da morte, matinta pereira a assobiar é sinal que o rabudo vai atacar. Ele é mais conhecido como Kanaimé o espiríto da morte.

Lá nas serras do Uiramutã existia um Homem que morava em uma comunidade, vivia no meio de outras pessoas, mas o que elas não sabiam é que ele era um perigoso Kanaimé que matava gente para alimentar suas plantas Tajá, ele possuia várias delas cada um para cada ocasião. tinha planta para se transformar em vários animais do mato, planta para chamar caça, planta para pegar muito peixe, planta para amansar pessoas brabas, planta para viajar longe e não sentir cansaço nem fome e nem sede.
Na comunidade morava uma família, pai, mãe e um único filho. Eles trabalhavam na roça de onde tiravam o sustento da família.
Um certo dia o pai foi para roça sozinho e foi atacado pelo Kanaimé, ele lutou bravamente com o bicho, mas foi vencido.
À tarde quando o pai voltou da roça chamou o filho para conversar e disse à ele que quando voltava da roça viu uma raposa no caminho e uma coruja o estava acompanhando e aquilo representava sinal de kanaimé, pois esses bichos só andam à noite. o homem não contou nada sobre o ataque do kanaimé, pois não se lembra de nada o rabudo faz suas vitímas se esquecerem de tudo apagam sua memória por completo.
A tardezinha o homem saiu para pegar algumas lenhas na ilha perto de sua casa.
E novamente foi atacado pelo kanaimé, ele o segundou e só descansa quando ver sua vitíma morta por completa o homem puxou seu facão e lutou com o bicho até a morte.
O Homem já estava fraco do primeiro ataque e caiu desfalecido. o kanaimé cortou sua língua, quebrou seu pescoço, seu pulso e meteu folha em sua bunda.
Depois de algumas horas acordou e foi para sua casa, seu corpo estava todo dolorido, ele estava com muita dor de cabeça e febre altissíma.
O homem passou dois dias com muita febre alta no fundo de uma rede, sua família estava muito preocupada com seu estado de saúde, e chamaram o pajé da região para rezá-lo, mas ele disse que não havia mais nada à fazer, pajé lavou a mão de pilão benzeu e deu para o homem tomar, foi ai que ele falou que kanaimé tinha lhe matado.
No dia seguinte o homem faleceu, como pajé tinha previsto.
o Homem foi enterrado. Pajé disse à família que dentro de três dias o kanaimé ia em seu tumúlo para comer sua carne, e para matá-lo somente com bala de cêra benzida pelo pajé e seu coração deveria ser queimado vivo dentro de uma grande fogueira.
Seu filho resolveu então vingar a morte de seu pai e disse ao pajé que esperaria o bicho no cemitério.
Na mesma noite seguiu para o cemitério levando os cartuchos carregados com bala de cêra, facão e um farol para focar no bicho.

Chegando lá ele fez um giral para montar espera, como se esperasse uma caça.
Ele esperou uma Noite...
Duas Noites...
...E na terceira noite....
Finalmente o Bicho apareceu, ele chegou em forma de um animal, mas aos pouco foi se transformando em forma humana. o caçador o esperava com um grande ódio em seu coração e com as balas de cêra.
As luzes se acenderam e a bala veio junto com ela, o tiro foi certeiro no meio do peito, que o bicho caiu agonizando feito uma galinha quando está sendo morta.
o rapaz pegou seu facão que estava afiadissímo abriu o peito do maldito kanaimé e retirou seu coração.
Em seguida o jovem fez uma grande fogueira como pajé o tinha mandado fazer e jogou o coração do kanaimé dentro, mas o bicho não queria morrer e soltava de dentro do fogo.
Ele então resolveu retalhar o corpo do kanaimé e jogar um por um dentro do fogo que virou cinza. dizem que esse jovem foi perseguido pelo resto de sua vida por outros Kanaimés, mas desde desse dia ele se tornou pajé e onde tinha um kanaimé ele o reconhecia de longe, pois tinha suas orações. Essa história foi contada pelo avô do Sidinei Lima Batista, Macuxi do Uiramutã, RORAIMA-BRASIL.
NOSSOS ARTISTAS INDIGENAS
Existe dentro das nossa comunidades indigenas aqui em Roraima vários artistas indígenas que fazem com seu dom natural verdadeiras obras de artes, seja na pintura, nos desenhos, na música, nos poemas, na dança, nos cantos. sem falar nos artesãos que fazem os nossos artesanatos produzido com a biodiversidade encontrada na mãe terra. Quero aqui destacar esta obra de um jovem artista macuxi por nome SIDNEI LIMA BATISTA, ele é macuxi da região das serras casado com uma wapixana do canauanim. ele fez esses desenhos contando a saga do KANAIMÉ que foi contada por seu avô.



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