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sábado, 24 de julho de 2021
Roraima lança primeiro Concurso de Miss Indígena em 2021
Sob a Coordenação do Professor Alfredo Wapichana da Comunidade Nova Esperança, Será realizado o primeiro concurso de Miss Roraima Indigena em 2021, a principio o concurso seria realizado em Abril de 2021, porém houve alguns contra tempo, e o concurso foi adiado para Setembro de 2021, na o palco seria na comunidade nova esperança em Pacaraima, com uma nova mudança o desfile aconterá em Boa Vista, pelo o grande fluxo deg Imigrantes venezuelanos transitando no municipio de Pacaraima. A concorrência é entre indias da mais variadas étnias dos povos indigenas de Roraima, entre Macuxi, wapichana, taurepang, sapará e outras, mas a disputa maior será entre as macuxis e wapichanas, a Logo do concurso foi feita por mim que sou designer gráfico.
Veja aqui As candidatas oficiais que disputarão o titulo de MISS RORAIMA INDIGENA
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| Fylicia Castro Candidata Macuxi do Municipio do Amajari |
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| Thayna Gomes Candidata Wapichana do Municipio de Boa Vista |
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| Mirllane Brenny Candidata Macuxi do Municipio de Pacaraima |
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| Suzana Andrade Candidata do Municipio de Normandia |
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| Joana Darc Candidata Wapichana do Municipio de Pacaraima |
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| Tairen Gonalez Candidata taurepang de Pacaraima |
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| Juliana Vitória Candidata Macuxi do Municipio de Boa Vista |
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| Chris Hemilis Candidata candidata do Municipio do Cantá |
Retorno do Blog em 2021
Salve. salve pessoas que admiram meu trabalho nesta página, Eu fiquei um bom tempo sem postar nada nesse blog, mais de um ano e pouco, pois estava até pensando em desativá lo, porém estive observando que muitos estudantes e acadêmicos tem tido referências nele, pois pesquisei na Internet e vi algumas referencias citando este blog, tese de mestrados principalmente, as poesias apresentadas em Faculdades. e também muita coisa sobre o Kanaimé que tem despertado a imaginação de Muitos. por isso resolvi reativá lo novamente para continuar escrevendo e postando sobre as cpoisa aqui de Roraima, durante todo esse tempo muita coisa aconteceu a pandemia chegou e muitas pessoas se foram, mas ainda bem que estamos vivo. em nome de Jesus.
quarta-feira, 7 de março de 2018
TERRA INDÍGENA DE JACAMIM
A TI de Jacamim localiza-se no extremo sudeste da
RISeL, na divisa com a Guiana. Foi a última TI homologada pelo Governo Federal,
através do Decreto sem número de 11 de outubro de 2005. A demora pela homologação
deu-se pela forma como os Wapixana resolveram demarcá-la, em área contínua (a
única da RISeL), diferente do restante que são
em ilhas. São 193.493
ha quase cinco vezes maior que a TI de Manoá/Pium. Sua área
espalha-se por dois
municípios Bonfim e Caracaraí.
Foi na TI de Jacamim que esta pesquisa foi discutida e
analisada pelos 17 tuxauas da RISeL,
entretanto, durante os três dias de assembléia indígena nós não pudemos sair do
malocão de reuniões e nem conversar com
nenhum Wapixana sobre a pesquisa. Este fato acabou nos impossibilitando de
coletar entrevistas com os moradores acerca da história do lugar e do topônimo. Neste sentido, iremos apenas
analisar neste trecho, os relatos de viajantes e alguns Wapixana, de outras
malocas que tinham algum conhecimento sobre a TI de Jacamim, como seu Casimiro
Cadete que formou, na década de 1970, os tuxauas das malocas de Jacamim, Marupá
e Wapum, além dessas, há na TI a recente maloca de Água Boa.
JACAMIM - O PÁSSARO DAS CINZAS
‘NAMATI’
O viajante Henri Coudreau, durante sua viagem à
região, já relata a existência de "Namatiwa'u" (namati,
‘jacamim’ e wa'u, ‘rio’) como um centro dos indígenas
Aturaiu. O viajante descreve as condições do lugar:
Namatchi Ouâ - Je m'installe dans une case qui a été abandonnée à la suíte de la mort de son propriétaire, qui a été enterrér
dans son domicile, ici, sous mon hamac. Lês trois cases sont situées au milieu du campo limpo,
et comme toujours,
non pas exactement sur um point culminant, mais um peu à cote.
D'ici nul horizon,
on ne voit pás une montagne
[...] (Coudreau, 1887,
p. 287)
Mais uma vez, vemos os hábitos mortuários dos Aturaiu,
comum aos Wapixana, outro indício da fusão cultural entre os dois grupos. Assim
como o hábito de morar no campo, no caso o limpo, expressão esta que Coudreau
nem traduz para o francês, talvez pela ocorrência freqüente do termo, mesmo entre os indígenas.
A informação sobre a ausência de montanhas na maloca
de "Namatchi Ouâ" é extremamente relevante, visto que a maloca
atual de Jacamim, do seu centro, consegue-se
observar a Kaziweruna dyky'u, serra
de Marupá (foto 21). Isto demonstra que a maloca deslocou- se para o oeste, no médio rio Jacamim, pois
para não se observar serras seria necessário que ela estivesse mais para o
leste, no baixo Jacamim, próximo a rio Tacutú. No relatório da FUNAI sobre a demarcação da TI de Jacamim, há no
mapa um símbolo representando uma maloca abandonada, exatamente na confluência
entre o rio Jacamim e o Tacutú.
Está claro pelo
relato do viajante francês que o zootopônimo Jacamim é uma translação
toponímica do rio de mesmo
nome. O Jacamim, talvez, por
ser ave domesticável195, tem grande
195
Koch (1917, p. 58) diz que o Jacamim,
“[...] esse ventríloquo engraçado, o melhor amigo do homem e um dos pássaros mais inteligentes e fáceis de domesticar.”
valor toponímico
para os Wapixana, visto que, há mais duas localidades com este nome, em
Malacacheta (Jacaminzinho) e o antigo nome do Alto Arraia.
Nas lendas Wapixana é freqüente a figura do pássaro,
numa delas mostra o porquê das plumagens cinzentas em suas costas:
Dois pássaros brincavam
juntos; brigaram e, como estivessem perto do fogo, cairam nele, ficando um
deles com as costas cinzentas, outro com o bico vermelho. (Jacami - pássaro de costas cinzentas porque caiu nas cinzas). (With,
1950).
Esta constante toponímica, no caso do Jacamim, é um
caso típico Wapixana, visto que, em toda toponímia brasileira, há apenas duas
ocorrências, restrito à região amazônica e somente como acidente geográfico:
serra do Jacamim (AM) e outra como, ig. Jacami (AC). Esta predileção pelo
pássaro, no caso indígena, é explicada também por Orico (1937, p. 128).
Si uma galinha desaparece ou morre, abandonando
a prole, o jacamim agacha-se,
carinhoso, oferecendo o agasalho de seu corpo aos pintinhos. Quando se aproxima
o dono da casa o jacamim vem
envolver os seus pés com a carícia
de suas asas, e procura distrair os seus olvidos com seus
gemidos soturnos, mas revestidos de certa harmonia. Entre os índios esta ave interessante é considerada "fetiche" de felicidade e tão disputada quanto as plumas do uirapuru pelas "cunhãtans" casadoiras. (o grifo é nosso)
A origem lingüística do topônimo, segundo Cunha (1978,
p.164) é do Tupi, iaka'mi, que acabou
gerando variantes196,
como: jacami, nos séculos XVII e XVIII; e jacamim no XIX e XX. A maloca de Jacamim enquadra-se nesta
última variante lingüística, provavelmente do século XX, visto que o viajante
francês a descreve apenas com o nome Wapixana. A sua tradução para o Tupi ou
LGA, deve ter ocorrido com os missionários beneditinos, no primeiro quarto do
século XX. A cartografia oficial197 e a Funai optaram pelo termo Tupi.
FONTE: João Paulo Jeanine Andrade Carneiro a morada dos wapixana Atlas Toponimico da região Indígena Serra da Lua.
TERRA INDÍGENA DE MOSKOW
A Terra Indígena de Moskow foi homologada com o
Decreto Federal sem número no dia 30 de
maio de 2003. Sua área é de 14.212 e conta com uma população de 415 pessoas171, em sua maioria Wapixana.
Como não desenvolvemos o trabalho de campo na TI, pouco teremos a colaborar com
sua história.
3.3.6.1 – MOSCOU - O
SOCIALISMO INDÍGENA
‘MOSKOW’
A maloca de Moskow é a única da referida TI, apesar de
sua homologação recente, seus moradores parecem ser antigos, visto que os
fundadores da maloca de Alto Arraia serem provenientes desta. Segundo seu
Casimiro Cadete, o antigo nome da maloca era Kuduidintun, que
quer dizer kuduidin, ‘onça’ e tun, ‘ilha’.
No entanto o nosso informante não sabe quando se deu a
mudança de nome para o atual. Os
Wapixana do Alto Arraia dizem que o atual nome vem de um estrangeiro que
observando o modo como os índios viviam disse que aquilo parecia uma cidade
socialista172, como
Moscou, os índios gostaram do nome e passaram a denominar o local com o corotopônimo.
De fato, para o estrangeiro, proveniente das grandes
cidades brasileiras, vivenciar a vida numa maloca Wapixana, é encontrar-se num
outro mundo. Aqui temos uma clara diferença entre a nossa sociedade e as comunidades
indígenas. Os Wapichana vivem em comunidade, eles comungam as mesmas coisas:
a construção das casas, o preparo da terra, o plantio, a colheita, a
A toponímia brasileira não registra
nenhuma
ocorrência
do
corotopônimo
em
seu
território, neste sentido, o topônimo Wapixana é único, e com o
tempo passaram a
grafar a Moscou russa com as
letras do alfabeto Wapixana, trocaram o "c" pelo "k" e o
"u" pelo "w", desta forma, temos a Moskow wapixanisada.
FONTE: João Paulo Jeanine Andrade Carneiro a morada dos wapixana Atlas Toponimico da região Indígena Serra da Lua.
FONTE: João Paulo Jeanine Andrade Carneiro a morada dos wapixana Atlas Toponimico da região Indígena Serra da Lua.
Tamoromu A Grande Árvore
Antes, dizem os Wapixana, só havia dia e uma grande
árvore, ‘tamoromu’. Todo alimento estava lá, não precisava
plantar era só colher. Só que a árvore era bastante alta e havia muita
quantidade e diversidade de alimentos nesta árvore: mandioca, amendoim, banana,
milho, arroz, abóbora, cará, feijão, inhame, melancia, tudo na mesma grande
árvore. No entanto, para alcançar os
alimentos era necessário subir nesta, atividade que era muito penoso. Então,
dois irmãos resolveram cortar tamoromu, ‘a grande
árvore’, para facilitar a colheita
dos alimentos, assim como, retirar as suas sementes. A
árvore tombou, como resultado, o céu também despencou, o que era dia,
tornou-se noite. Onde caiu
mandioca, milho, abóbora... virou roça,
‘zakap’;
onde caiu
folhas e galhos virou floresta, ‘kanuku’; e onde não
caiu nada virou campo, ‘baaraz’92.
Este mito consta na memória coletiva dos Wapixana e
povos adjacentes, como os Makuxi. O próprio monte Roraima é considerado como o
tronco desta grande árvore que foi derrubada.
sábado, 3 de março de 2018
Depoimento de DAVI KOPENAWA YANOMAMY sobre a Mineração na Terra Yanomamy
Vocês brancos, dizem que nós,
Yanomami, não queremos o desenvolvimento. Falam isso por que não queremos a
mineração em nossas terras, mas vocês não estão entendendo o que estamos
dizendo. Nós não somos contra o desenvolvimento: nós somos contra apenas o
desenvolvimento que vocês, brancos, querem empurrar para cima de nós. O
desenvolvimento que vocês falam em nos dar não é o mesmo que conhecemos: vocês
falam em devastar a nossa terra-floresta para nos dar dinheiro, falam que somos
carentes, mas esse não é o desenvolvimento que conhecemos. Para nós
desenvolvimento é ter nossa terra com saúde, permitindo que nossos filhos vivam
de forma saudável em um lugar cheio de vida. Nós yanomami entendemos muito bem
sobre esse assunto e ficamos apenas preocupados com aqueles que dizem
representar todo nosso povo e pedem por mineração. São pessoas que ficam
pensando como as mineradoras funcionam, pensam que elas não devastam a floresta,
mas não entendem o que realmente vai ocorrer. A mineração não é como o garimpo,
não são pessoas que entram na floresta e degradam apenas algumas regiões. A
mineração precisa de estradas para transportar os minérios, precisa de grandes
áreas para guardar a produção, precisa de locais para alojar os funcionários,
fará grandes buracos na terra que não deixará a nossa floresta voltar a se
recuperar. Entendemos como as mineradoras atuam, não pense que confundimos seu
trabalho com o dos garimpeiros. Conhecemos muito bem a diferença, morremos
muito na época do garimpo ilegal em nossas terras, sabemos a diferença, sabemos
que as mineradoras vão precisar de energia para funcionar. De onde virá essa
energia para fazer as máquinas funcionarem? Como vocês transportarão os minérios?
Quando os minérios mais valiosos terminarem e as mineradoras forem embora, o
que acontecerá com o s trabalhadores que foram até a terra indígena? Quando
transformarem e produzirem minério, quais os resíduos que podem contaminar
nossa terra por muito tempo?
Vocês falam que somos pobres
e que nossa vida vai melhorar. Mas o que vocês conhecem da nossa vida para
falar o que vai melhorar? Só porque somos diferentes de vocês, que vivemos de
forma diferente, que damos valor para coisas diferentes, isso não quer dizer
que somos pobres. Nós yanomami temos outras riquezas deixadas pelos nossos
antigos que vocês, brancos, não conseguem enxergar a terra que nos dá vida, a
água limpa que tomamos, nossas crianças satisfeitas. Vocês brancos pensam que
somos pássaros, ou especial somos
cotias, para nos darem apenas o direito a comer os frutos que nascem em nossas
terras? Não pensamos as coisas de forma dividida, pensamos na nossa
terra-floresta como um todo. Se vocês destruírem o que está abaixo do solo,
tudo que está a cima também sofrerá. Não estamos preocupados apenas com o que
vai acontecer com os povos indígenas. Vocês pensam que os brancos não serão
afetados? Vocês não aprendem com o que está acontecendo no mundo? Está ficando
mais quente, em outros lugares o clima está mudando, os grandes rios estão
morrendo, os animais estão morrendo e todos estão sofrendo. Vocês ainda não
aprenderam que esse tipo de desenvolvimento pode matar todos nós? Não somos
apenas nós, povos indígenas, que vivemos na nossa terra, vocês querem perguntar
a todos os moradores da floresta o que eles acham sobre a mineração?
Perguntem
aos animais, às plantas, ao trovão, ao vento, aos espirítos xapiri, pois todos
eles vivem na floresta. A floresta também pode se vingar de nós, quando ela é
ferida.
Nós
sabemos que existe muitos interesses, mais fortes do que políticos, para fazer
a mineração em nossas terras. São interesses de quem tem muito dinheiro, de
quem quer ganhar muito dinheiro. Nós sabemos que não querem nos ajudar, eles
dizem apenas que querem nos ajudar, que farão escola, darão assistência à
saúde, darão luz, mas sabemos que por trás dessas palavras falsas está o desejo
de fazerem crescer seu dinheiro. Eles podem enganar outras pessoas, mas não nos
enganam.
Nós yanomamis não queremos
mineração, não queremos que ela seja feita em nossa terra. Nós já nos
manifestamos contrários a Comissão Nacional de Politica Indigenista (CNPI) que
o governo criou mas resolveu ignorar criando, depois, a comissão especial para
discutir a Lei de mineração em terras indígenas. Se Vocês brancos os ajudem de
forma correta e não os enganem ao darem dinheiro, onde não passem fome e onde
não passem sede, se virmos esse lugar do mesmo tamanho que nossa
terra-floresta, podemos voltar a discutir esse assunto. Vocês estão realmente
escutando nossas palavras? Vocês, brancos, realmente escutaram nossas palavras,
as palavras do Povo da Floresta?
DAVI
KOPENAWA YANOMAMI
PRESIDENTE
DA HUTUKARA ASSOCIAÇÃO YANOMAMI (HAY)
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O canaimé é um ser muito temido dentro das comunidades indígenas de Roraima, as pessoas de outras culturas acreditam que o canai...
















































































































































































































































































































































































