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terça-feira, 23 de setembro de 2014

POEMA PARA X INTERCULTURAL 2014

POESIA INTERCULTURAL 2014.

1.    Hoje vai tem uma festa
De wapixana e macuxi
 Ta alegre a cunhatã
 Ta alegre o curumim
 É festa tradicional  È o intercultural
 Festa do canauanim

 Na  festa vai ter aluár
Na festa vai ter caxiri
Damurida e beijú
Carne de caça e muquim
É uma festa tribal É o ntercultural
Festa do canauanim

Festa de índia bonita
Wapichana e macuxi
E tem muito artesanato
Tem peneira e tipiti
É um grande ritual É o intercultural
Festa do canaunim

 Aqui vamos encontrar
Damurida e surubim
Com as folhas de pimenta
Malagueta e tucupi
Com peixe, farinha e sal,  É o intercultural
Festa no canauanim.

2.    O primeiro nome da festa
Foi a festa da fartura
Pra comemorar a colheita
Que vinha da agricultura
Uma festa da produção, Para virar tradição
Envolvendo a cultura.

E foi em 2005
Que a primeira aconteceu
A festa foi um sucesso
Muita gente apareceu
A festa virou tradição, em toda a região
Ninguém nunca mais esqueceu.

E desde desse ano então
A festa é realizada
Sempre no mês de setembro
Ela sempre é programada
Pra manter a tradição, e fazer a integração
Da nossa terra amada.

A festa mudou de nome
Virou intercultural
Festa de todos os povos
Em um grande festival
Com muita competição, entre povos da região
Do povo tradicional.

3.    A festa vai começar
Com a defumação do maruai
Pra espantar os maus espirítos
Para que o bem nos atrai
Pra você que é medroso, e também é preguiçoso
Hoje vai virar kamai

Maruai é um pajé
Faz parte do ritual
Fazer a defumação
Para espantar todo o mal
Fazendo a pajelança, misturado com a dança
Aqui no intercultural.

Tem as apresentações
Escola e comunidade
Apresentando seus projetos
Projetos da realidade
Alunos  e professores, tuxaua, agente e gestores
Tem Palestra com as autoridades.

Para todas as comunidades
desejamos kaimen wat kary
dançando o parichara
Saudamos kaimen pugary
Saudando a nossa terra
Wapichanas dessa serra
Ungary naydap pugary

4.    A festa é de todos os povos
Wapichana e macuxi
Tem beijú tem damurida
Tem tanic e caxiri
É uma festa cultural, é o intercultural
Festa no canauanim.

Hoje no canauanim
Tem concurso e competição
Quem rala a mandioca
Quem fia mais algodão
Quem trança a darruana, é macuxi ou wapichana
Quem mais honra a tradição.

E tem a flecha ao alvo
Corrida com jamaxim
Corrida com mulher nas costas
Quem bebe mais caxiri
Corrida do croatá, quebra palha de najá
Festa no canauanim.

Tem outra competição
Que é subir na bacabeira
Escolha do índio mais forte
E da bela índia guerreira
Disputa com os indios da serra
Com força no cabo de guerra
Muita força de primeira.

5.    Mais uma competição
Do saco começa agora
Corrida do carangueijo
Vem a corrida com tora
A disputa com comida, quem come mais damurida
Quem não aguenta esta fora

A hora mais esperada
É o concurso de dança
A dança do parichara
É nossa maior herança
É a nossa obrigação, honrar nossa tradição
Adulto, jovem e criança.

Na disputa do traje indígena
Tem que ser original
Nos costumes do nosso povo
Tem que ser bem cultural
Com elementos da natureza, tem que ter arte e beleza
Beleza tradicional.

vem a corrida pedestre
Vem na parte do esporte
Tem o futebol de campo
Ganha aquele que tem sorte
Quem não é futebolista, tem a corrida ciclística
Pra ganhar tem que ser forte
  
6.    O concurso que eu mais gosto
Concurso da poesia
Também gosto de música
De canto e de melodia
Sou poeta apaixonado, faço meus versos rimados
Pois faço com alegria.

É uma festa de costumes
Dos povos tradicionais
Dos índios da serra da lua
Dos costumes culturais
Pra manter a tradição, para nova geração
Lá dos nossos ancestrais

Costumes e tradições
Do povo wapichana
É dos índios brasileiros
Índios que trançam darruana
Somos filho da mae terra, wapichanas dessa serra
Das matas e das savanas.

Aqui tem artesanatos
Produtos em exposição
Tem flecha beijú e peneira
Esporte e competição
Damurida, peixe, tucupí, tem darruana, colar, jamaxim
Amizade entre os irmãos.

7.    Nosso povo está aqui
De várias comunidades
Da região serra da lua
Promovendo a amizade
Pois assim é que se faz, vamos promover a paz
Viva a fraternidade

Já estão aqui presente
Malacacheta e jacaminzinho
Tabalascada e laje
Barro vermelho e campinho
Também vem capinarãna, é festa dos wapichanas
Todos são nossos vizinho

A festa é de todos os povos
E também de outras culturas
De todas as étnias
A festa é uma mistura
E para integração, todos nós somos irmãos
Cada um com sua pintura

Vou dançar o parichara
Com minha saía e cocar
Pintado de urucum
Com minha flechar e colar
Usando minha pintura, isso é minha cultura
Parichara vou dançar

8.    vou dançar o mari mari
macuxi dança tucui
vou dançar com minha índia
minha flor, minha susui
minha dança tradicional, aqui no intercultural
Gavião eu sou Kukui

Aqui no intercultural
Eu vi índio yanomami
Ingaricó wai wai
E também os taurepang
Wapixana e macuxi, todos nós somos daqui
Todos somos um só sangue.

Eu sou índio wapichana
Nunca vou deixar de ser
Não preciso virar branco
Pra poder aparecer
A minha maior beleza é ser filho da natureza
Serei índio até morrer

Pra termina minha poesia
Que eu fiz pra esse festival
Eu Fiz com muito orgulho
E ninguém vai fazer igual
Mostro minha poesia, que eu fiz com muita alegria
Aqui para o intercultural.

9.    Sou poeta wapichana
Sou bem simples natural
Natureza é minha mãe
É um amor fraternal
Dedico essa poesia, a maruaí que é meu guia
E ao intercultural.

Hoje no canauanim
A alegria é total
Lembramos nossa cultura
Em um grande ritual
Nós celebramos a terra, somos wapichanas da serra
Viva o intercultural!

Viva o intercultural
É uma festa legal
Do  povo tradicional
Seguimos um ritual
Lá do nosso ancestral
Uma festa fraternal
Que nunca se viu igual
De costume cultural
Cultura original
E pra todos vocês o meu tchau......


AUTOR: IVONIO SOLON WAPICHANA
POESIA PARA O X INTERCULTURAL 2014




domingo, 4 de maio de 2014

ATY GUASU LUTA CONTRA O EXTERMÍNIO DO POVO NATIVO GUARANI-KAIOWÁ

Esta nota da Aty Guasu e a última palavra da liderança feminina-viúva Damiana-Guarani Kaiowa visa comunicar ao Presidente da República do Brasil Dilma Rousseff, Ministro da Justiça José Eduardo Cardoso, Presidente do Supremo Tribunal Federal Ministro Joaquim Barbosa, todas as sociedades nacionais e internacionais que a comunidade GUARANI-KAIOWÁ DO TEKOHA APYKA’I-DOURADOS-MS FOI COMUNICADA PELO TRIBUNAL REGIONAL DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO EM SÃO PAULO QUE A PARTIR DE DIA 07 DE MAIO DE 2014 AS COMUNIDADES GUARANI E KAIOWA DE APYKA’I, (A PEDIDO DO FAZENDEIRO E A USINA DE ALCOOL SÃO FERNANDO) SERÃO ATACADA E DESPEJADA PELA POLÍCIA FEDERAL.
Diante disso, a liderança viúva-Damiana e comunidade reafirmam que não vão sair do tekoha Apyka’i. “o meu pai e minha mãe, todos parentes, 3 meus filhos e 3 netos estão enterrados aqui no Apyka’i, por isso “ EU JÁ FIZ TAMBÉM O BURACO E COVA PARA MIM E AQUI QUERO SER ENTERRADA PELA JUSTIÇA DO BRASIL, A MANDO DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF”. Reafirma a liderança feminina Damiana Guarani e Kaiowa.
DIANTE DESSA AÇÃO DOS FAZENDEIROS E FAMASUL ATRAVÉS DA JUSTIÇA FEDERAL, SE A COMUNIDADE GUARANI E KAIOWÁ VULNERAVEIS DO TEKOHA APYKA’I FOR ATACADA E DESPEJADA PELA POLÍCIA FEDERAL NO DIA 08 DE MAIO DE 2014, NÓS LIDERANÇAS GUARANI-KAIOWÁ DOS POVOS INDÍGENAS DO MS VAMOS ABANDONAR A “MESA DE DIÁLOGO” COORDENADO PELO MINISTRO DA JUSTIÇA/GOVERNO FEDERAL. Estamos aguardando pacientemente a posição, ação e resultado positivo de “Mesa de Dialogo” do governo federal, mas no final de abril de 2014, RECEBEMOS A NOTÍCIA E NOTIFICAÇÃO DE QUE VAI ACONTECER O DESPEJO JUDICIAL DA COMUNIDADE GUARANI-KAIOWÁ DO TEKOHA APYKA’I, ALÉM DISSO, HÁ VÁRIAS ORDENS DE DESPEJO JUDICIAL SOLICITADAS PELOS FAZENDEIROS/FAMASUL EM CURSO. FRENTE AOS FATOS, EM MAIO DE 2014, NÓS LIDERANÇAS INDÍGENAS DO MS ESTAREMOS DISCUTINDO PARA ABANDONAR A “MESA DE DIALOGO” E VAMOS FAZER A RETOMADA DE TODAS AS NOSSAS TERRAS INDÍGENAS IDENTIFICADAS, DEMARCADAS, HOMOLOGADAS. COMUNICAMOS AO GOVERNO FEDERAL QUE ESSA SERÁ A DECISÃO DE POVOS INDÍGENAS GUARANI-KAIOWÁ, SE A COMUNIDADE GUARANI E KAIOWA DO APYKA’I FOR ATACADA E DESPEJADA PELA POLÍCIA FEDERAL.
Há mais de 15 anos, a comunidade GUARANI-KAIOWÁ reivindica a demarcação de tekoha Apyka’i. Em 2008, a mando da Usina de Álcool São Fernando e fazendeiros, dezenas de pistoleiros atacaram a comunidade GUARANI-KAIOWÁ e queimaram todas as ocas/casas e destruíram as plantações e animais domésticos dos indígenas. Os pistoleiros renderam e torturaram todos os integrantes da comunidade indígena, fraturaram as pernas e os braços dos GUARANI-KAIOWÁ. Os homens fortemente armados despejaram e largaram indígenas à margem da rodovia. Alguns dias depois, da margem da rodovia, a comunidade despejada retornou ao tekoha Apyka’i quando começou a sofrer cerco de pistoleiros contratado. Na época, a liderança religiosa idoso da comunidade GUARANI-KAIOWÁ foi atropelado e dilacerado pelo veículo da fazenda. O cadáver da liderança foi sepultado no tekoha Apyka’i.
A viúva Damiana assumiu a liderança da comunidade. Em 2009, a Usina São Fernando e fazendeiro conseguiu uma ordem de despejo judicial dos indígenas do tekoha Apyka’i. A ordem judicial foi executada pela força policial em 2009. A comunidade GUARANI-KAIOWÁ novamente foi largada à margem da rodovia onde não tinha água para eles beber e monitorada pelos pistoleiros.
No final de 2010, a comunidade GUARANI-KAIOWÁ pela segunda vez retornou ao tekoha Apyka’i, mas foi atacada e retirada pelos pistoleiros da Usina de Álcool no momento que mais uma liderança foi torturada e assassinada pelos pistoleiros da fazenda. Pela terceira vez a comunidade foi atacada, torturada e expulsa de sua terra tradicional Apyka’i. Os pistoleiros despejaram a comunidade à margem da rodovia. Em 2011, um dos filhos da Damiana foi atropelado e dilacerado pelo carro da fazenda.
Em 2012, à margem da rodovia, em suas barracas, a comunidade inteira começou a sofrer ameaça de morte, mais uma criança foi atropelada pelo veículo da fazenda.
Em 2013, uma indígena idosa morreu intoxicada pelo veneno lançado pelo avião da Usina de Ácool São Fernando. Em 2013, mais uma criança foi dilacerada pelo carro da Usina São Fernando. Em agosto de 2013 todas as barracas foram incendiadas pelos homens da Usina de Álcool. Na margem da rodovia, a comunidade além de sofrer ameaça de morte e bebia água poluída, passando miséria e fome.
Em setembro de 2013, a comunidade GUARANI-KAIOWÁ mais uma vez retornou ao tekoha Apyka’i onde tem água da mina d’água, a comunidade construiu as suas barracas, ficando distante da margem da rodovia. Desde setembro de 2013 a comunidade do tekoha Apyka’i passou a sofrer ameaça de morte. Uma das comunidades GUARANI-KAIOWÁ mais ameaçada e sofrida nos últimos quinze (15) anos no município de Dourados-MS. Esses fatos acontecidos com a comunidade Apyka’i, no último ano, já foram divulgados amplamente nas imprensas nacionais e internacionais. Em 2014, desde janeiro de 2014 a comunidade GUARANI-KAIOWÁ do tekoha Apyka’i mais uma vez foi notificada pela Justiça Federal (TRF3/SP) para ser expulsa de sua terra tradicional, autorizando a força policial para despejar os indígenas do Apyka’i. NO FINAL DE ABRIL DE 2014, MAIS UMA VEZ, A JUSTIÇA FEDERAL COMUNICOU QUE A COMUNIDADE GUARANI-KAIOWÁ SERÁ ATACADA E DESPEJADA PELA POLÍCIA FEDERAL A PARTIR DO DIA 07 DE MAIO DE 2014.
Diante disso, a liderança viúva-Damiana e comunidade declarou que não vai sair do tekoha Apyka’i. “JÁ FIZ BURACO E COVA PARA MIM E AQUI QUERO SER ENTERRADA PELA JUSTIÇA DO BRASIL, A MANDO DO GOVERNO DILMA ROUSSEFF”
A viúva Damiana ameaçada de morte falou assim: “o meu pai, o meu marido e meus filhos já foram assassinados e enterrados aqui, eles foram assassinados pelos fazendeiros”, “eu e a comunidade vamos morrer tudo aqui também. Não quero mais voltar na beira da rodovia, lá sofremos muito, lá é um lugar de morrer, por isso em vez de voltar na beira da rodovia, quero que a justiça do Brasil mande matar-nos todos aqui e enterrar nós aqui mesmo”. “Na condição de mulher-viúva que meu marido morreu lutando pela terra. Estou avisando o governo Dilma, justiça federal e todos (as) sociedades que vou morrer também lutando pelo pedaço de nossa terra Apyka’i, essa é nossa decisão”. “Pedimos apoio de todos (as) para que o governo e justiça em vez de despejar e matar-nos, é para demarcar o pedaço de nossa terra tradicional Apyka’i”. “Aqui será mais derramado o nosso sangue pelo governo Dilma e pela justiça do Brasil”, “não tenho mais medo de morrer”, “vamos morrer lutando pela nossa terra tradicional Apyka’i”
Nós lideranças da Aty Guasu solicitamos também ao Governo Dilma e Supremo Tribunal Federal para deixar VIVER O TEKOHA APYKA’I. NOSSO GRITO ALTO É: CHEGA DE EXTERMÍNIO DA COMUNIDADE DO TEKOHA APYKA’I - JUSTIÇA DO BRASIL, FAMASUL, FAZENDEIROS, USINA SÃO FERNANDO NÃO EXTERMINE GUARANI-KAIOWÁ DO TEKOHA APYKA’I
DEIXA TEKOHA APYKA’I SOBREVIVER.
Tekoha Guarani Kaiowa Apyka’i-Dourados-MS, 02 de MAIO DE 2014
Aty Guasu luta contra o extermínio do povo nativo GUARANI-KAIOWÁ

GleiceOliveira Guarani-Kaiowá


fonte: Página Indios no Brasil 2

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Matawi Kukenan A morada dos Espirítos


Kukenam é o nome do tepui irmão do monte Roraima, localizado na Grand Sabana, sul da Venezuela

Kukenán é uma montanha sagrada. Nela vivem os espíritos de guerreiros pemones que não devem ser molestados - conta Benetton, guia indígena que acompanha os turistas na expedição ao Roraima. Para ele, o despertar dos guerreiros é a causa do desaparecimento misterioso do turista.

Benetton ouvia do seu avô histórias sobre lutas seculares pela posse da terra, travadas entre os índios macuxis e pemones (de etnia arekuna, kamaracoto e taurepang). Quando um guerreiro pemon era derrotado, jogava-se do alto do tepuy Matawi-kukenán. Na língua indígena, ''matawi'' significa ''quero morrer'' ou ''lugar de suicídio''.

- Os guerreiros arekunas ingeriam uma erva que lhes concedia poderes sobrenaturais. Passavam a ter agilidade e coragem sobre-humanas. Locomoviam-se dezenas de metros numa fração de segundos. Combatiam e matavam os inimigos sem temor - fala baixinho, quase pedindo licença, Benetton.

Os espíritos desses guerreiros são chamados pelos pemones de canaimas - entidades temidas até hoje. Quando alguma morte inexplicável acontece, os índios atribuem-na aos desígnios do canaima. Daí vem o respeito mítico de Benetton pelo Kukenán. O misticismo está entranhado nos pemones.

http://http://www.mochileiros.com/misterios-lendas-t29200-15.html


Monte Kukenan é sagrado para os índios


O Kukenan Tepui fica ao lado do Roraima e é considerado um lugar sagrado para os índios. Com trilhas de difícil acesso e perigosas, os antigos contam que muitos morreram tentando alcançar o cume, um dos motivos que levou à proibição de escaladas desde 1997.

Os indígenas se referem ao local como Matawi-kukenán (“quero morrer”, ou “local de suicídio”), pois o monte guarda os espíritos dos guerreiros Pemón, que eram jogados do alto após a derrota para os índios Macuxis nas seculares batalhas pela posse das terras. Esses espíritos, ao serem molestados, desencadeiam sua ira e são os responsáveis pelo desaparecimento dos turistas que ousam enfrentá-lo.

Os Pemons também são chamados de Arecunas e em mais uma das lendas, os antigos contam que durante a batalha eles ingeriam uma erva que lhes concedia maior agilidade e destreza para lutar. Os espíritos destes índios são chamados de Canaima, mais uma entidade respeitada e temida pelos povos da região, pois a ele são atribuídas todas as mortes misteriosas no Monte Kukenan.

Tepui Kukenan - O lado mal da força


Ao lado do Monte Roraima, um dos inúmero montes em formato de mesa que

existe na Grand Sabanna (Venezuela), fica o Kukenan.

Seu outro nome é Matawi-Tepuy que significa: "Se me sobes tu morres"

Ouvi a história de que há muito tempo os índios Macuxis da região do

Brasil entraram em guerra com os índios da Grand Saban os Tauarepang.

Pois os Taurepang perderam, e não aceitaram a vergonha de voltarem

para casa derrotados por isto como costume dalí subiram o Matawi-Tepuy

(kukenan) de lá se suicidaram num longo arremeço da borda; por isto o

Kukenan é considerado amaldiçoado e mal.
Fonte: http://psicologiaespiritualgs.blogspot.com.br/2011/07/matawi-kukenan.html

domingo, 23 de março de 2014

A origem da Terra Indígena Malacacheta ‘PYRATA’DIK

Pela a análise das fontes é a mais antiga das malocas da região serra da lua, entretanto sua homologação é recente, de janeiro de 1996. Demarcada com uma área de 28.631 há. Atualmente vivem na comunidade 780 indios, em sua grande maioria wapixanas e alguns macuxis. Sua proximidade com a capital do Estado condição que faz a malacacheta o centro político educacional da região serra da lua.
O professor de Língua Wapixana Odamir de Oliveira, estima que a fundação da malacacheta seja de 1880, pois seus pais, avós e bisavós nasceram nestacomunidade. Neste tempo, final do século XIX, o viajante frânces, Henri Coudreau, passa uma longa temporada nessa maloca e constata que ela é pelo menos 100 anos mais antiga do que a aferição feita pelo professor. A antiga malacacheta surge na borda norte do rio ‘Cuit auu (atual rio Quitauaú ) do wapixana kuítu, ‘lagarto’ e Wau, ‘rio’ com a morte do tuxaua os moradores migraram para o norte também na borda de um curso d’ água o igarapé caual do wapixana kawaro’ ‘cavalo’. A nova malacacheta encontra-se  também ao norte, entre as serras do surrão e do Uandrá. Entretanto, como bem ateviu Coudreau a mudança de maloca está relacionado aos antigos ritos mortuários dos wapixanas. O viajante diz ainda que a velha malacacheta estava num lugar melhor , entretanto a nova malacacheta tem a vantagem de não ser maldita, até a morte do atual tuxaua, porém o viajante percebeu que esse importante traço cultural desapareceu ao longo dos anos.
A ORIGEM DO NOME MALACACHETA
O nome tem relação com o granito das serras circundantes , chamou tanto a atenção dos wapixanas que nomearam a sua maloca com o minério como relatado pelo viajante frânces, o minério encontra-se no fundo do leito, que é visível somente durante o verão quando rio Quitauaú está mais seco. Quase todos os moradores confirmaram que o nome malacacheta vem do minério que tem em grande quantidade no rio Quitauaú. Entretanto , a sua descoberta deu-se por um branco chamado ‘Pancho’ que veio estudar a região e encontrou grande quantidade minério. O pesquisador então levou para ver se tinha valor comercial, os índios criaram uma grande expectativa de ganhar muito dinheiro com aquele minério, no entanto descobriram que a malacacheta não tinha valor nenhum, decepcionados os wapixanas batizaram o minério e consequentente sua maloca de PYRATA’DYK, (do wapixana : Pyrata, ‘dinheiro’ e Dykei, ‘fezes’) literalmente a “merda de dinheiro”.
Segundo o Professor Odamir, antes da chegada dos brancos (Karaiwa)  a maloca era conhecida com o nome de Papagaio Waruna’u. Com a chegada dos brancos e a descoberta da malacacheta o nome mudou.
Os campos do rio branco foram extremamente cobiçados para criação de gado, desta forma o território wapixana foi quase que totalmente transformado em fazendas. No caso da malacacheta, existia um poderoso comerciante de Manaus chamado Sizenando Diniz, que se dizia donos daquelas terras. O pai do wapixana Leandro da Costa, que foi criado pelo comerciante e sua mulher.
“Com 15 anos me lembro me lembro da malacacheta, tinha pouca gente 10 famílias, antigamente era rico em caça, as terras eram da dona santinha, meu pai foi criado por ela diziam que ela era o diabo em pessoa, mulher de seu Sizenando Diniz. Segundo meu pai conta foi Rondon que demarcou o território wapixana, quando seu Sizenando morreu o gado começou a morrer (50 mil cabeças), sua mulher propôs a venda para o tuxaua Constantino Viana, pai de Julião Viana. Seu Constantino ajuntou uns 10 sócios para comprar a própria terra. Isso foi mais ou menos em 1935. Em 1970 foi minha vez de contribuir com 20 contos para pagar o INCRA. A FUNAI chegou depois. “informação verbal de Leandro da Costa”.
“Durval Magalhães veio aqui e disse que os índios não precisavam do lavrado, somente da mata. Só quando o Marechal Rondon veio é que a terra ficou pra gente. Em 1979, botei minha roça, em 1880 comecei a acompanhar os trabalhos do tuxaua Raimundo Cruz. Em 1985 assumi a liderança da comunidade, primeiro os índios pagavam para o IBRA, depois virou o INCRA. Para ter a própria terra. Em 1974, teve o projeto Rondon, vindo de uns paulistas que disseram que não precisava pagar a terra. Em 1987 começou a demarcação, mas antes em 1987, os índios fizeram um projeto de demarcação que não abarcava nada só um pouco de terra o resto era para os brancos. Em 1990 voltei como tuxaua até 1998, em 1992/3 entramos na mata durante 20 dias com 02 turmas de 16 pessoas cada. Quando entregamos um reconhecimento da T.I para o Valmir em 1989, já estava tudo perdido, pois ficou tudo para os brancos. Fui querer recuperar a nossa terra, , os parentes disseram que não, estava tudo bem como estava. Eu queria até a cabeceira do jenipapo com igarapé grande, nós vamos brigar por isso em terra mesmo. “Informação verbal do makuxi Simeão Messias)


Segundo Cirino (2000) em 1970, os wapixanas da malacacheta reivindicaram a demarcação da área, porém se depararam com o impasse de seus próprios pares serem os posseiros da própria terra, a situação era conflituosa entre os wapixanas, pois havia um grupo que queria a demarcação e outros não. A FUNAI interviu e sugeriu ao grupo comprador passar para o órgão a posse da terra para em seguida demarcar em favor da comunidade Malacacheta, como os impostos devidos estavam atrasados, a FUNAI pressionou o grupo a ceder os direitos da posse, livrando-os dessa obrigação. Afora a pressão da comunidade, acuado o grupo resolve ceder os direitos  legais a FUNAI, não obstante, a objeção de alguns componentes que revoltados migraram para Boa Vista (Cirino 200 pg, 169/170).


Escola da comunidade que leva o nome de SIZENANDO DINIZ
FONTE: João Paulo Jeanine Andrade Carneiro a morada dos wapixana Atlas Toponimico da região Indígena Serra da Lua.

A GUERRA ENTRE MACUXIS E WAPIXANAS




Há muitos e muitos anos atrás um grupo de índios wapichanas migraram da Guiana Inglesa em busca de outras terras, eles eram nômades atravessaram a fronteira e chegaram nas terras do Brasil, vieram em busca de alimentos e um lugar para poder finalmente fixar moradia. os Wapichanas, migravam da Guiana Inglesa para o Brasil, fugindo da perseguição Portuguesa pelo rio branco, ao mesmo tempo que os Indios Macuxis também fugiam da perseguição Espanhola no Caribe na Venezuela, pelo rio Orinoco, Século XVIII, segundo o professor historiador da Universidade Federal de Roraima Dr. Jacir Guilherme Vieira.Os macuxis tinham uma grande habilidade guerreira, enquanto os Wapixanas não tinham essas práticas e talvez pela falta de comunicação, pois os macuxis falavam uma língua que era incompreensível para os wapixanas a guerra aconteceu, guerra que alguns historiadores classificam como conflitos inter-étnicos, mas o Antrópologo Alemão Koch-Grumberg encontrou uma rica prosa entre os taurepangs, e macuxi do Surumú e Cotingo relatando Guerras sangrentas entre Wapixanas e Macuxis. Nessa guerra os wapichanas quase foram todos dizimados, mas conseguiram fugir, sempre ficando alguns pelo caminho, principalmente mulheres e crianças, eles fugiram para o norte e la fixaram moradas e colocaram o nome de Serra da Lua.


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KOCH-GRUMBERG, Do Roraima ao Orinoco. 1 vol. Editora, UNESP. (1917) 2006.